Valentino Garavani morre aos 93 anos e deixa legado na moda italiana
Portal Araras de Noticias 19 de janeiro de 2026 0 COMMENTS
A morte de Valentino Garavani foi noticiada por diferentes veículos europeus nesta segunda-feira.
A história de uma das casas mais reconhecidas da moda italiana se encerrou nesta segunda-feira (19). Valentino Garavani, fundador da grife Valentino, morreu aos 93 anos, em Roma. A informação foi confirmada pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti. Em comunicado, a instituição informou: “Ele faleceu em paz em sua residência em Roma, cercado pelo amor de seus entes queridos”.
Nascido Valentino Clemente Ludovico Garavani, em 11 de maio de 1932, na cidade de Voghera, no norte da Itália, o designer demonstrou desde cedo uma relação quase intuitiva com a moda. Aos 15 anos, mudou-se para Paris, onde deu os primeiros passos na alta-costura ao trabalhar e estudar com mestres como Guy Laroche, Jean Dessès e Cristóbal Balenciaga.
“Passei meus primeiros oito anos de carreira em Paris. Em determinado momento, decidi abrir minha primeira grife, em Roma, com o apoio fundamental dos meus pais”, contou durante a última entrevista ao GLOBO.
A maison Valentino foi fundada em 1962, já com Giancarlo Giammetti ao seu lado — parceiro de negócios e de vida, com quem construiu uma das histórias mais duradouras da moda internacional. O reconhecimento global veio poucos anos depois, quando Jacqueline Kennedy escolheu Valentino para desenhar o vestido de seu casamento com Aristóteles Onassis, em 1968.
“Um acontecimento determinante na minha carreira foi ter criado o vestido de casamento de Jackie Onassis. No início eu a chamava de Ms. Kennedy, e no final já éramos conhecidos como ‘Jackie e Valentino’”, relembrou ao GLOBO. “Ela se tornou minha musa.”
A partir daí, Valentino passou a vestir algumas das mulheres mais influentes do século XX e XXI. Elizabeth Taylor, Sophia Loren, Jennifer Lopez, Anne Hathaway, Courteney Cox e a princesa Madeleine da Suécia estão entre os nomes que recorreram à sua assinatura, especialmente para vestidos de noiva e ocasiões históricas.
Sua ascensão coincidiu com o auge do cinema italiano, período em que se consolidou como sinônimo de glamour. “Amo as mulheres. Sempre tentei fazê-las parecer muito sensuais, muito glamourosas”, afirmou certa vez.
O vermelho, que se tornaria a marca registrada da grife, nasceu de uma memória juvenil. “Eu tinha 17 anos e estava em Paris quando fui a Barcelona para ajudar uma fornecedora. No primeiro dia, me levaram a uma noite de gala na Ópera de Barcelona, toda decorada em vermelho. Fiquei profundamente emocionado. Disse a mim mesmo que, se um dia tivesse uma grife, usaria o vermelho como sinal de boa sorte”, contou. Assim surgia o célebre Vermelho Valentino.
Após 45 anos à frente da maison que leva seu nome, Valentino anunciou sua aposentadoria em 2007, encerrando oficialmente sua atuação criativa em janeiro de 2008. À época, foi crítico ao rumo do setor. “Vou sentir muita falta de não desenhar mais, mas sobretudo deste mundo. A moda está estragada. Todo mundo faz as mesmas coisas. Faltam desafios, criatividade e alegria. Agora, só se trata de fazer negócio”, declarou. Desde então, passou a viver de forma mais reservada.





